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Cientistas estudam espécie rara de macaco no cerrado do Centro-Oeste

por / Quarta-feira, 18 Fevereiro 2015 / Publicado em: Portal Geografia, Últimas notícias / ImprimirImprimir / Indique para um amigoindique a página

Animais vistos em Pitangui são típicos da Amazônia e da Mata Atlântica.
Desmatamento é apontado como motivo de fuga.

 

CLIPPING

Macaco sauá avistado na região de Pitangui (Foto: Norberto Lobato/Arquivo pessoal)
Macaco sauá avistado na região de Pitangui (Foto: Norberto Lobato/Arquivo pessoal)

 

Uma espécie de macaco ameaçada de extinção tem chamado atenção de cientistas no Centro-Oeste mineiro. A incidência do macaco sauá em regiões do cerrado preocupa cientistas e primatólogos. Batizado de Callicebus nigrifrons, o animal é típico da selva amazônica e da Mata Atlântica. Mas, o desmatamento nessas regiões tem forçado a espécie a se refugiar na área de transição entre esses dois biomas. Bandos têm sido vistos com frequência na região.

Norberto Lobato, coordenador da agência do Instituto Estadual de Florestas (IEF) em Pitangui, disse ao G1 que já viu muitos deles. “Não é difícil encontrar a espécie na região, principalmente ao amanhecer, que é quando os macacos começam a busca por alimentos. Eles entram na cidade pelas árvores, em busca de frutas nos quintais. Outro dia avistei um em um pé de manga. Até tirei fotos”, contou.

Ao saber disso, o biólogo Eduardo José Azevedo decidiu conferir de perto. Ele sabia que os primatas estão entre os mamíferos mais ameaçados da Mata Atlântica por causa do desmatamento, de incêndios e da fragmentação das famílias. “Dentre as 23 espécies de primatas que ocorrem na Mata Atlântica, 15 estão enquadradas em alguma categoria de ameaça de extinção”, disse.

Eduardo queria estudar o comportamento da espécie na região e contribuir para a proteção dos animais. Para isso, visitou a fazenda experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que fica em uma área de preservação permanente, perto do Rio São João. O desafio era conseguir chamar a atenção dos animais. “Vi que eles ficam o tempo todo quietos, na deles. Quando aparece alguém fazendo barulho, eles reagem e se espalham”, comentou.

A solução apareceu em março de 2014, quando Eduardo era um dos professores que compunham uma banca de pesquisa no campus do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) em Bambuí. O biólogo e especialista em primatas Frederico Pahlm contou sobre seu trabalho de conservação de espécies ameaçadas de extinção.

Frederico Pahlm mostra sauá que resgatou: animal tinha cortes no antebraço e cauda fraturada (Foto: Frederico Pahlm/Arquivo pessoal)
Frederico Pahlm mostra sauá que resgatou: animal
tinha cortes no antebraço e cauda fraturada
(Foto: Frederico Pahlm/Arquivo pessoal)

Frederico sugeriu a Eduardo que usasse gravações do som emitido pelos macacos da espécie para atraí-los. Ideia que foi bem recebida. As observações de campo ocorreram em agosto e setembro do ano passado. “Levei um notebook com áudios dos gritos e grunhidos de macacos. As sessões de playback eram iniciadas a cerca de dez metros da borda, em direção ao rio. Após o surgimento de um indivíduo do grupo, o estímulo foi mantido. Aproveitei para registrar, através de fotografias”, explicou Eduardo.

Foram feitos cerca de dez testes de vocalização. Após o som ser emitido durante 15 minutos, indivíduos adultos da espécie apareceram e começaram a vocalizar também – ou seja, os macacos responderam aos sons emitidos pelo computador. A resposta dos animais foi toda gravada em áudio.

Frederico Pahlm afirmou que o risco de extinção da espécie é alto. “Principalmente devido à diminuição da variabilidade genética e risco de endogamia, que é o cruzamento entre indivíduos de parentesco próximo, causando vários problemas genéticos”, explica.

Entre galhos, macaco sauá ficou curioso após escutar som emitido por computador (Foto: Eduardo José Azevedo/Arquivo pessoal)
Entre galhos, macaco sauá ficou curioso após escutar
ruído (Foto: Eduardo José Azevedo/Arquivo pessoal)

Instalar rastreadores nos animais é um tipo de prática comum entre os biólogos que trabalham com proteção de espécies. “Mas os sauás têm um pescoço curto e isso machuca e os atrapalha na vida livre. Eu trabalho com habitação natural de grupos. No caso, os macacos vão me observando em seu habitat por todo o dia, a toda hora, até se acostumarem com minha presença. Com a detecção de grupos, espero que a comunidade científica se envolva na conservação da espécie ameaçada”, comentou.

 

Fiscalização
Em nota ao G1, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou que não desenvolve nenhuma ação de proteção do macaco sauá. Esse trabalho fica a cargo do ICMBio, que é responsável pela elaboração de planos de ação para conservação de espécies ameaçadas de extinção.

“O processo de elaboração, monitoria e revisão adotado, instituído pela Instrução Normativa ICMBio é baseado no planejamento estratégico e estabelece um método simples e robusto que pode ser aplicado em todos os níveis taxonômicos ou geográficos. Estes níveis podem incluir uma única espécie, grupos ou conjuntos de espécies e subespécies individuais, bem como em âmbito global, regional ou nacional”, informou o órgão.

O responsável pelo IEF em Pitangui explicou que o órgão tem a atribuição de definir áreas adequadas para a soltura de animais que forem apreendidos. “Já está sendo verificada a determinação de uma área segurança na região Centro-Oeste para a soltura de animais que forem capturados ou encontrados em cativeiro”, finalizou Norberto Lobato.

Exemplar de macaco sauá avistado na região de Pitangui (Foto: Norberto Lobato/Arquivo pessoal)
Exemplar de macaco sauá fotografado em Pitangui (Foto: Norberto Lobato/Arquivo pessoal)
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